Apple analisa conteĂșdos da iCloud para detetar crimes de abuso a crianças

Recentemente, um funcionĂĄrio da Apple revelou como Ă© que a empresa de Cupertino deteta ficheiros com conteĂșdos ilegais atravĂ©s da iCloud.

Num altura em que tudo está praticamente ‘online’, por vezes a privacidade terá que ser violada em prol de valores maiores.

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A Apple jĂĄ se recusou a colaborar com as autoridades para dar acesso a conteĂșdos de iPhones de criminosos, como aconteceu no caso do terrorista de San Bernardino e, mais recentemente, o atirador da Florida.

No entanto, noutros casos, a Apple acede aos conteĂșdos, protegidos, para detetar crimes como os de abuso infantil.

Apple analisa conteĂșdos da iCloud para detetar crimes de abuso infantil

Segundo a Forbes, a Apple analisa os conteĂșdos dos utilizadores existentes na iCloud, nomeadamente no email, no sentido de detetar conteĂșdos suspeitos, mais propriamente com alguma evidĂȘncia de abuso sexual a crianças.

Assim, a empresa do iPhone intercepta e verifica as mensagens quando se trata de material ilegal.

Mas nĂŁo pense que a Apple verifica manualmente os emails. O processo decorre atravĂ©s de hashes, ou seja uma sequĂȘncia de caracteres (letras ou nĂșmeros), gerada por um algoritmo de dispersĂŁo. Este Ă© um procedimento utilizado por outras empresas como Facebook e Google, tambĂ©m para detetar imagens de abuso infantil.

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Assim, quando os sistemas da Apple detetam algum conteĂșdo, que pode vir como assinaturas anexadas a fotos e vĂ­deos de abuso infantil, hĂĄ um alerta. De seguida, o email ou arquivo no qual foi detetado esse conteĂșdo potencialmente ilegal Ă© interrompido e colocado em quarentena para sofrer uma inspeçao mais aprofundada, onde um funcionĂĄrio da Apple examina o conteĂșdo doa arquivos e analisa o email.

Caso haja indĂ­cios de crime, entĂŁo sĂŁo contactadas as autoridades competentes, como o Centro Nacional de Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC), uma organização sem fins lucrativos destinada a denĂșncias e informaçÔes sobre exploração sexual infantil online e que atua legalmente quando hĂĄ essas mesmas denĂșncias.

Mandado de Busca de abusador infantil usa dados fornecidos pela Apple

A descoberta deste procedimento foi feita apĂłs um mandado de busca, em Seattle, Washington, que a Forbes teve acesso e que mostra como a empresa de Cupertino Ă© Ăștil nas investigaçÔes, apesar de ser acusada de nĂŁo cooperar noutros casos.

Nesse mandado de busca, o oficial da investigação publicou os comentários de um funcionário da Apple sobre o processo de deteção de “várias imagens de suspeita de pornografia infantil” que foram carregadas por um utilizador da iCloud, tendo sigo seguidamente analisados os seus emails.

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Parte do mandado em que inclui as suspeitas da Apple de Pornografia Infantil. (Créditos: Forbes)

O depoimento feito pelos funcionĂĄrios da Apple, obtido pela Forbes, refere que:

Quando interceptamos o email com imagens suspeitas, elas não vão para o destinatårio. Este indivíduo enviou oito e-mails que intercetamos. (Sete) desses e-mails continham 12 imagens. Todos os sete emails e imagens eram iguais, assim como o endereço de email do destinatårio. O outro e-mail continha 4 imagens diferentes das 12 mencionadas anteriormente. O destinatårio pretendido era o mesmo.

Eu suspeito que o que aconteceu foi que ele estava a enviar as imagens para si mesmo e, uma vez que nĂŁo foram mostradas, ele as enviou novamente vĂĄrias vezes. Ou isso ou ele recebeu uma mensagem do destinatĂĄrio de que elas nĂŁo foram entregues.

Segundo um agente especial da Homeland Security Investigations, o funcionĂĄrio da Apple examinou cada uma das imagens de suspeita de pornografia infantil.

Assim, a Apple forneceu vĂĄrios dados do utilizador suspeito, como nome, morada e nĂșmero de telemĂłvel. Para alĂ©m disso, o governo solicitou tambĂ©m o conteĂșdo dos emails, textos, SMS e “todos os arquivos e registos armazenados na iCloud”.

E como fica a questĂŁo da privacidade os utilizadores Apple?

Este Ă© realmente o dilema a lidar em situaçÔes como esta. A Forbes Ă© da opiniĂŁo de que, desde que os funcionĂĄrios da Apple analisem emails apenas apĂłs a deteção, pelo sistema, de conteĂșdos potencialmente ilegais e abusivos, nĂŁo se coloca um problema ou violação da privacidade.

Na a privacidade terå que ser colocada em segundo plano, em prol se valores maiores como a proteção de crianças vítimas de abuso sexual, e a condenação de criminosos deste crime horrendo.


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